“Se ela te fala assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e te ver buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente.
Se ela te fosse direta, você a rejeitaria.”

“Se ela te fala assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e te ver buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente.
Se ela te fosse direta, você a rejeitaria.”



(Source: itsburied, via olivrodeamora)

Amor não é coisa tão delicada quanto parece não, moço. É cipó. Pé de maracujá. É broto que cresce frágil e, quando se vê, já tomou conta de toda a cerca da casa. Não há deus que mate e nem machado que lhe decepe definitivamente. Se, em tempo de chuva, as folhas voltam a crescer viçosas e se balançam ao vento, gabando, em toda a sua arrogância, de coragem e esperteza. Quando em meados da seca, o bendito chega a imitar perfeitamente a morte, que, moço, nunca vi, de fato, acontecer. E olha que já tenho idade. Não imagina quanta coisa esses olhos já enxergaram. Não. Nunca vi um amor morrer. Coisa misteriosa essa, ao ponto de não se arranjar nunca adjetivo que lhe valha. Não existe palavra que alcance essa imensidão. E o que a gente não consegue definir é o que justifica a perda do sono, moço. O rolar pela cama. As olheiras pela manhã. Veja meu caso. O meu pão de cada dia era a risada dele. Os olhos, eram o veneno e a cura. Ambos em conta gotas. Ele me levava ao céu tão facilmente quanto eu descia ao inferno. Nem depois de chorar meio oceano e quase me afogar nas minhas próprias lágrimas, como Alice, consegui viver por aí como se não esperasse um milagre. Que desconsolo. Coisa triste, viu, moço? Amor é coisa séria. Não adianta chorar e abraçar meio mundo: não passa. Não morre. Não importa por qual porta da casa você saia: ele sempre vai estar lá, tomando o lugar da cerca da sua casa. Ah, coisa triste, moço. Coisa triste.
Vitória Soares

(Source: sempre-jovem, via tacyvozsolidaoeviolao)


