
(Karla Tabalipa)


(Karla Tabalipa)



Quando estiver perto de dar certo você vai sentir uma vontade imensa de desistir.
(via tacyvozsolidaoeviolao)


(Source: ultrarromantismo, via florapaulita)

“Discretamente, enviei sinais de socorro aos amigos. Ninguém ajudou. Me virei sozinho. Isso me endureceu um pouco mais. Não foi só você, não. Foram também pessoas até mais íntimas (…) me virei sozinho com enormes dificuldades. Não me lamuriei. Mas preciso que as pessoas saibam que isso doeu — exatamente porque algumas destas pessoas (…) importam para mim.”
[Caio Fernando Abreu em Cartas]

Meu amigo, eu só queria que a vida desacelerasse. Quem sabe assim eu pudesse pedir pra você ficar. Só mais um pouco. Eu faria o que você quisesse. Que tal uma música, um violão, uma serenata? Posso voltar a fazer piadas, desacomodar desses hábitos que empoeiraram os abraços ternos e voltar a fazer planos, como você queria. Faço o que você achar melhor. Posso dar aquela gargalhada alta ou simplesmente conversar longamente sobre todos os assuntos. Afinal, você sempre soube como dominar aqueles pelos quais o meu coração clamava. Só mais um pouco. Só mais um tempo. Talvez, algumas horas. Só. Para que eu possa escutar mais uma vez a sua risada, decorar os seus gestos e colocar o papo em dia. Mas as horas continuam martelando, contadas diante de todas essas lágrimas que se derramam, e que me fazem perceber que não posso fazer você voltar. Então eu me calo. E minhas entranhas gritam. Mas eu calo, para que um outro pedido chegue mais rapidamente ao céu: que se faça silêncio. Silêncio, lá onde nós nos vimos pela última vez. Que se faça recordação, quando reconhecemos um no outro essa coisa estranha e bonita chamada amizade. Que se faça melodia nas minhas memórias. Que se faça a certeza, em meio a toda essa dor, de que nada foi em vão. Que se faça a primavera, lá onde você esteve e nasceram flores. Que se faça outono, lá quando as sementes que você plantou se transformaram em frutos. Que se faça verão, quando houve tanto calor humano. Que se faça inverno, para esse meu coração hibernar, pelo menos por um tempo. Mas, principalmente, que não deixe de ser. Que seja, que seja, que seja, que seja sempre. Por tempo indeterminado. Que seja você, que sejam as suas risadas, que seja a sua presença. Que seja paz. Meu menino, meu amigo… Hênio, até a próxima vez. No é-terno. [Vitória Soares]


